11 de jun. de 2010

Estranhamento

Em meio a uma conversa com colegas a respeito da pertinência, dificuldade e uso da música clássica em sala de aula, surgiu uma pequena palavra que define em muito o método que eu normalmente utilizo, mas sobre o qual nunca havia lido nem refletido com mais consciência.

Quando algumas pessoas levantaram o problema de que a música clássica seria algo completamente fora da sensibilidade dos alunos atuais - especialmente daqueles cujas famílias tem uma cultura mais popular - um rapaz observou que talvez o inusitado de uma forma estética completamente "estranha" poderia despertá-los.

Percebi neste momento que uso constantemente em minhas aulas o "estranhamento" para tirar meus alunos do torpor. As aulas pasteurizadas, domesticadas costumam causar grande sonolência, diferente de uma aula "bofetada", como disse certa vez um professor meu; uma aula que sacuda as idéias do aluno, que o force a pensar como se fosse impossível fazer outra coisa. O conhecimento precisa entrar na sala de aula com toda a força que o faz um conhecimento fundamental, ou seja, cheio de vitalidade, de perigos, de força, e para isso ele precisa vir como algo "estranho" ao universo mental do aluno.

Isto não quer dizer que se deva simplesmente trazer para a sala de aula coisas que ninguém faz idéia do que seja, que não possuam conexão com nada que o aluno conheça. Pelo contrário, ele precisa ser algo que sacuda uma forma de pensar, ou no dentro do modelo psico-genético dos construtivistas, a aula precisa causar um "desequilíbrio" no modo do aluno entender a realidade. Este desequilíbrio obriga a mente do aluno a trabalhar para responder os novos problemas e entrar novamente em equilíbrio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário