Em uma conversa com uma professora recém formada, mas sem qualquer experiência de sala, ela me explicava que se soubesse passar bem os conteúdos tudo daria certo com os alunos. Como não a conhecia bem para contradize-la, somente insinuei algo a partir de minhas experiências pessoais, mas nem insisti muito sobre isso, já que ela começaria a dar aulas no dia seguinte e poderia pôr em prática sua teoria. Uma semana depois, olhei no sistema do estado e vi que a escola em que ela fora estava com aulas para atribuir. Lá me contaram que a moça não aguentou uma semana e já pedira as contas, peguei as aulas e fiquei até o fim do ano com resultados excelentes. Sem qualquer sombra de dúvida para mim, a parte do relacionamento interpessoal é a primeira na ordem temporal e a central para que as aulas possam fluir a contento.
Quando um professor entra em uma sala de aula, não são seus conceitos, seu conhecimento, habilidades e competências na matéria que aparecem, mas sua capacidade de se relacionar e que irá produzir ou não um ambiente para realização de sua tarefa. As aulas não se dão num plano abstrato, mas no meio de um grupo de pessoas, cada qual com suas formas de ver e interagir com o mundo, com o agravante da imaturidade emocional dos alunos, ou das dificuldades pessoais do professor em se relacionar com os outros.
Infelizmente as teorias no campo da pedagogia parecem insistir numa percepção abstrata da sala de aula e não capacitam o professor a atingir uma ego menos frágil, uma capacidade maior de interagir com pessoas diferentes, ou entenderem a dinâmica humana da sala de aula. Desta forma o professor chega em sala tão capacitado para lidar com as situações problemas quanto qualquer outra pessoa sem formação, poderíamos dizer no mesmo nível em que o aluno se encontra, tirando uma suposta maturidade emocional do adulto.