Continuando, em partes, o texto anterior a respeito das atitudes não estarem soltas no espaço, mas manterem uma forte conexão com o contexto, vou novamente tentar expor algo que pode também parecer óbvio, mas é ignorado tanto por desconhecimento, como por raiva ou mesmo preguiça que depois resulta em maior trabalho e angustia para o professor.
Em sala de aula é comum que os alunos ajam de uma forma contraproducente, algumas vezes chamar a atenção é o suficiente, porém, em outras a atitude continua a se repetir irritando o docente. Nestas horas é comum se iniciarem os famosos bate bocas, para alegria da turma que se diverte vendo o circo pegar fogo, mas que pode ser bastante traumática para aqueles que estão envolvidos diretamente.
Antes desta situação se estabelecer o professor deve pensar muito bem nas consequências e não se deixar tomar pelos sentimentos - coisa bem difícil. É importante pensar que a classe provavelmente ficará do lado do aluno, dando-lhe apoio direto ou mesmo indireto. Na prática isto significa que o professor irá enfrentar não um aluno, mas talvez 40. Não será uma luta fácil e o desgaste e irritação só irão crescer.
Na medida em que a discussão se inflamar e as crianças forem "ferindo" o professor, este poderá apelar e dizer coisas impróprias, buscando humilhar o aluno, ou a sala. Quando esta situação se instaura tudo se perde, o respeito, a confiança, a paz. O professor se verá obrigado a "quebrar" a moral dos alunos para restabelecer o control, que daí em diante será frágil, pois a revolta e a vingança ficarão no ar.
Mas existe uma alternativa, bastante simples, mas que exige um certo autocontrole: esperar para conversar com o aluno longe da turma. Quando a atitude do aluno puder ser ignorada, na medida em que não seja uma perturbação para toda a sala, então o melhor é esperar até o término da aula e chamá-lo para conversar mesmo que seja no corredor. Afastado do grupo, a conversa volta a pender para o lado do professor, que não deve abusar desta vantagem para humilhar a criança - ação infelizmente corriqueira.
De forma alguma o professor deve "esquecer" o ocorrido e deixar a coisa passar batido, isto dará ao aluno a ideia de que sua atitude não foi problemática, contribuindo para que ela se repita e com maior confiança, mas evite-se ao máximo iniciar um bate boca na sala.
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