2 de fev. de 2011

Comportamentos "primários" e "secundários"

Tenho buscado encontrar material teórico direcionado para questões voltadas para a gestão de sala de aula, o que infelizmente não é muito simples, não sendo apenas as terras tupiniquins que se ressentem da falta deste material.

A parca produção acadêmica acaba afetando os poucos trabalhos voltados para esta questão, refletindo no caráter mais simples e menos críticos das discussões sobre o assunto, quase sempre estas obras se mostram baseadas apenas em experiências pessoais como base de sua argumentação, sem qualquer elaboração crítica.

Mesmo assim, no grande deserto teórico sobre o assunto, qualquer reflexão sobre isto é bem vinda e este é o caso do livro de Bill Rogers que estou lendo, servindo de "insight" para algumas de minhas próprias autorreflexões aqui postadas. Porém, neste post e provavelmente em outros, farei mais apontamentos sobre algumas das ideias contidas no  livro "Gestão de Relacioamento e Comportamento em Sala de Aula" do autor supracitado.

Uma das abstrações sobre o modo de agir do aluno é a distinção entre comportamentos "primários" e "secundários". Tal conceito não é de fato discutido teoricamente no livro e por isso peca pela falta de definição, digamos, mais escolástica. O autor considera os comportamentos "primários" como aqueles relacionado ao que o professor está abordando diretamente e "secundários" como "o enfado, o mau humor, o som de desaprovação, o olhar para cima, o comportamento irritado, a procrastinação e o ponto de vista argumentativos"[27]

O autor aponta a perda de tempo que pode causar a atenção maior que o professor dispensa para os comportamentos secundários, além do fato de poder iniciar um problema onde ele não existia. Muitas das atitudes secundárias que os alunos apresentam não são conscientes para eles, ou sendo conscientes têm, em muitos casos, o objetivo de desvio, uma armadilha sobre a qual muitos professores caem.

A questão não é de fazer vistas grossas para estes comportamentos secundários, mas sim de saber o que é realmente é importante naquele momento. Quando os comportamentos secundários ultrapassam um limite razoável a intervenção é necessária, mas acrescentaria também a importância de o professor refletir sobre estes comportamentos secundários e em momentos oportunos tentar estabelecer um diálogo com o aluno sobre a situação, desvendando as intenções ou trazendo para a consciência da criança uma atitude instintiva.

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